domingo, junho 10, 2007

The World is Lost?



Durante muito tempo eu ouvi todo o mundo falando em Lost. Pra cá e pra lá, tudo era Lost.

Mas eu estava resoluto, não iria assistir nada antes de terminar a série. Sim, primeiro porque se todo o mundo comentasse que o final foi uma porcaria, talvez não valesse a pena gastar as muitas horas em claro. Segundo porque se todo o mundo falasse bem, daria pra assistir tudo de uma vez, bastaria comprar os DVDs.

Tão misterioscamente quanto à ilha, ganhei a primeira temporada de aniversário. Devorada em menos de uma semana, comprei a segunda no submarino (porque não tinha na fnac). Chegou hoje e quatro episódios já foram assistidos.

Mesmo com o ritmo frenético, sei que estou bem atrás de todo o mundo. E assim como todo o mundo tempos atrás, estou fazendo pesquisas e descobrindo coisas "ocultas". Mas de tudo o que eu descobri, o que mais me surpreendeu não aconteceu na ilha ou com os integrantes do vôo 815... Aconteceu com a pessoa que descobriu o Lost!

Todo o mundo sabe (ou deveria saber) que ousadia e a inovação têm um preço. Todo o mundo sabe como os gênios são incompreendidos. Que pessoas erradas muitas vezes ocupam cargos errados e isso explica o nível atual dos programas televisivos, dos comerciais, da arte e da cultura.

O que nem todo o mundo deve saber é que o CEO da ABC, que "descobriu" o Lost e insistiu que ele fosse feito, que lutou pelo que ele achou que tinha os ingredientes para ser o "the next best thing", acabou sendo demitido justamente por ter feito isso... Antes mesmo da veiculação do episódio piloto.

"É perda de tempo, isso não tem a menor chance de dar certo" foi o que supostamente disse o chairman da Disney na ocasião. Não poderia estar mais errado. Maior sucesso de audiência e premiação do milênio. Um dos melhores storylines que eu já vi, com muitos personagens protagonistas, mas nenhum principal e insubstituível. Muitos mistérios. Muitos detalhes. Mas nada passa em branco ou fica sem resposta. Eletrizante, viciante. Mas não para o chairman da Disney e companhia. Se dependesse deles, Lost teria ficado perdido em uma gaveta.

Esse tipo de coisa é o que causa a falta de criatividade e ousadia? Ou seria a falta de atitude para mostrar visão e genialidade deixe tudo com cara de "mais ou menos"? Seja como for, acredito que estamos todos Lost.

segunda-feira, maio 28, 2007

R$20 bem gastos


Liberdade.

Não o grito, o bairro.

Foi lá que aconteceu.

Cerca de um mês atrás. Um pouco mais, na verdade. Mas, de verdade, Não importa.

Eu estava na festa de uma grande amiga. O carro estava no estacionamento. Custava R$ 10. Na minha carteira, um puto sequer. Eu só tinha cartão e cheque. Lá não aceitava nem um, nem outro. Nenhum.

Calculei o horário. Negociei com o caixa. Passei R$ 13,50 no débito. Paguei os R$ 3,50 da coca e ele me deu uma nota. Não foi fácil. Afinal, que caixa quer ajudar quem consumiu pouco?

Foi tão difícil quanto demorado. O estacionamento fechou. Provavelmente 2AM em ponto. Resultado de 10 minutos de negociação.

O jeito é tomar um taxi. Mais fácil que voltar lá para pegar carona. Os demais carros estavam em outro estacionamento, não precisavam sair cedo. E eu teria que voltar. Se fosse pra enrolar, esperaria abrir de novo. Voltava com o meu. Nah, não valia a pena. Ainda tinha um projeto pra entregar, um prazo pra cumprir, uma apresentação a fazer.

Um ponto de taxi. Três opções de escolha. Naquelas. Tem uma fila, uma ordem.

Então lá fui eu ao primeiro. Entrei. "Pra onde?" "Jardins".

"Não aceitamos cheque" dizia o adesivo. Suponho que cartão, idem. R$ 10 não são suficientes de um ponto a outro. Precisaria do dobro disso.

"Mas antes, temos que passar num posto ou num supermercado 24h..."

"Esquece, pode sair"

"??!?"

"Conheço esse papo. Depois tá fechado ou sem sistema e o problema é meu."

"Então não vai me levar, é isso?"

"Não."

"Mas eu sempre faço isso... Sei onde está aberto e nunca falha..."

"Se quiser, fala isso pros outros dois aí..."

Um diálogo semelhante se repetiu duas vezes.

"Vocês vão se arrepender." Disse como se para ver se algum se arrependia na hora e mudava de idéia. Nada.

Não demorou 20 segundos e passou um taxi de rua. Dei sinal. Entrei. Na frente deles. Ele achou estranho.

"Ué, por que não pegou do ponto?"

"Sabe o que é, vocês não aceitam cheque nem cartão e eu estou sem dinheiro. Preciso sacar. Eles não querem. Eu sempre faço isso..."

"Mas onde você saca normalmente?"

"No posto. José Maria Lisboa com Nove de Julho."

"Tô ligado. Vamos pra lá. Esses caras aí não sabem ganhar dinheiro. Vida de ponto é fácil."

Expressão perfeita. Vida fácil de quem trabalha no ponto. Putos!

A corrida ia dar aquilo mesmo, R$ 20. Saquei R$ 40.

"Brother, por você ter confiado, tá aqui... O dobro!"

"!!?!? Tem certeza??"

"Claro! Você foi legal. Inclusive amanhã passa lá e tira um sarro deles."

"Eu vou é agora! Pega aqui o meu celular e me liga em 15"

"Você falou, eu liguei. E aí?"

"To chegando AGORA! Saca só.....

... EI! Vocês que não levaram o cara agora há pouco?"

vozes de fundo

"Pois não só ele pagou, como pagou o dobro. Aeee, seus trouxas, acabei de tomar R$ 40 de vocês, otários..."

gritos de fundo

motor acelerando

"hehe"

Moral da história: quando prometer que alguém vai se arrepender, cumpra a palavra.

Foto: http://www.flickr.com/photos/manganite/144563774/

segunda-feira, maio 21, 2007

Onzimeis

Quase meio ano sem postar. Apesar de fazer tempo que eu não tomava um taxi, certamente não seria falta de assunto. Mas muito certamente havia aí uma completa falta de inspiração.

Muita coisa aconteceu desse começo de ano até agora. Já dava pra ter preenchido uns 3 anos "comum" inteiros.

Mas eis que tomei um taxi na semana passada e o motorista disse algo interessante e fiquei com vontade de escrever. Além disso, muita gente comentou que eu deveria voltar a escrever. Então tá aí.


"Tá vendo essa igreja (e apontou para a igreja que fica ali perto da nove de julho com a são gabriel)? Conheço um camarada que casou aqui. Belo casamento. Tudo do bom e do melhor."

Eu que não sou grande fã de igrejas e estava bem doente, nem comentei nada.

Ele não se intimidou e continuou "pois o casamento acabou. Durou "onzimeis". Nem um ano. Com o que eles gastaram nessa festa, teriam se divertido muito mais."

Nessa hora eu concordei, afinal, isso vai bem ao encontro do que eu costumo pensar. Não que as pessoas não devessem casar, até porque toda a cerimônia é revestida por um significado maior para elas. Mas isso quando é algo realmente pensado e com um significado maior do que a igreja em si. Então eu perguntei "mas por que não deu certo?" E a resposta:

"Coitado. Ela "galhou" ele."

Ou seja, em algum momento do processo alguém errou. Talvez os dois. E isso é mais do que comum, afinal, as pessoas enganam e se enganam.

O primeiro erro é não saber qual é o objetivo de um relacionamento. Para saber qual que é, o jeito mais fácil é ver o que se pode conseguir sem ele e ver o que falta. Estando solteiro você tem liberdade (não precisa se preocupar com os seus atos, nem prestar contas) e uma pluralidade de escolha, ou seja dentro do rol de possibilidades, você pode ter a pessoa mais bonita, mais legal, mais engraçada, mais rica ou o que quer que te interesse no momento. Contudo o tempo passa e dinheiro, beleza e até humor podem acabar. Ao meu ver, a única coisa que justifica um relacionamento sério é a cumplicidade, ou seja, ter alguém para ser um verdadeiro companheiro e dividir o que for. A igreja já ensina isso, mas ninguém presta atenção: "na riqueza ou na pobreza, na saúde ou na doença". As pessoas confundem com amor incondicional, mas não é exatamente isso. Até porque o amor sozinho não dá conta de segurar um relacionamento.

Contudo, tem muita gente que usa como um apoio, tem gente que usa para preencher um vazio, uma insegurança, uma carência... E aí fica dependente do significado do relacionamento, mas não da pessoa. E aí entra um outro ponto importante num relacionamento: o fator humano.

Acredito piamente que para saber se um relacionamento vai dar certo ou não, é preciso levar em conta um tripé: admiração, respeito e confiança. Os três precisam estar firme e fortes em ambos os lados. Aí já se tem 80% de chance de dar certo e virar uma bela história de amor. Óbvio que há outros fatores, mas considerando que os dois queiram o relacionamento por conta de cumplicidade e mantenham esse tripé intacto, 80% chega a ser uma previsão pessimista.

Admiração é por onde tudo deveria começar, inclusive. É a porta de entrada da paixão (que é um mecanismo muito parecido com uma doença, que baixa a guarda e diminui uma série de defesas e filtros). Enquanto houver admiração mútua, é mais fácil de manter o respeito e a confiança. Afinal, é fácil confiar e respeitar alguém que você admira.

Depois vem a confiança. Confiança de poder pular e saber que a pessoa vai estar lá para segurar. O que não quer dizer - em absoluto - que você possa confiar cegamente na pessoa ou confiar mais nela do que em si próprio. Não. Até porque se alguém fizer isso, vai começar a desequilibrar a admiração que a outra pessoa tem e aí já viu, é uma questão de tempo pra tudo desabar. As pessoas querem outras pessoas para crescerem juntas, não para arrastar nas costas. Frases como "minha vida só tem sentido por sua causa" ou "não sei o que faria da vida sem você" são predatórias. Ninguém em sã consciência deveria confiar 100% da sua felicidade nas mãos de outra pessoa.

Por fim, o respeito. Isso tem muito a ver com um ponto de vista social, mas não só. Respeitar uma pessoa significa dar o embasamento para que ela confie. Por isso todo o tripé está interligado. Atração física e até admiração por outras pessoas todo o mundo sente e vai sentir. Mas entre ter vontade de "ficar" com outra pessoa e ficar "de fato" existe uma barreira. Que é justamente o respeito. A Axe até fez uma campanha sobre isso: http://www.gamekillers.com/.


Foto: http://www.flickr.com/photos/wtkn/232013937/

segunda-feira, janeiro 01, 2007

2007, uma redação de tema livre.


Eu fui um dos privilegiados que foram ao Guarujá no sábado de manhã e voltaram hoje - dia primeiro - pegando menos de uma hora de estrada na ida e na volta. Um pouco de sorte, um pouco de escolhas acertadas. Mas seria ainda mais privilegiado se pudesse ter ido duas semanas antes e voltar daqui a duas semanas. Ou mais privilegiado ainda se tivesse ido pra Côte d'Azur antes de novembro e só voltasse depois do carnaval ou então do Festival de Cannes. Mas, enfim, esse ainda não é o caso.

Começo de ano lembra muitas coisas, entre elas a volta às aulas e a famigerada "redação das férias". Não sei se as escolas continuam com essa metodologia arcaica, mas não me admiraria. Afinal, grande parte das pessoas que eu conheco tende a preferir que lhes seja dada um caminho, um objetivo, um tema.

Nunca entendi o porquê de as pessoas odiarem a "redação de tema livre". E um novo ano não deixa de ser mais um volume de uma coleção que compõe a trajetória da sua vida. São 365 páginas em branco, em que você pode escrever qualquer coisa. Boas ou ruins. É verdade que não depende só de você, há outras pessoas escrevendo junto. Mas a profundidade, a freqüência e intensidade com que elas escrevem quem dita é você.

Tanto que você pode virar um hermitão e ignorar o resto do mundo. Afinal, no fundo no fundo quem manda na sua vida é você. Se outra pessoa mandar é porque você - antes de tudo - deixou.

É justamente por isso que o início de ano (seja no calendário gregoriano ou em qualquer outro à sua escolha) é uma época perfeita para rever conceitos e partir para um novo ciclo. Basta ter objetivos definidos. Por exemplo, apesar de o foco do meu blog não ser sobre taxis, esse não deixa de ser um assunto abordado e, por isso, grande parte dos visitantes casuais caem aqui em busca de como conseguir um alvará. Eu sei como se faz e garanto que não é difícil. Se é esse o seu objetivo, vá atrás.

Até porque se você souber escolher o objetivo isso pode permitir que você passe passar o Réveillon em Côte d'Azur, o que deve ser bastante agradável.

Imagem: msteinas

quinta-feira, novembro 30, 2006

Intradiálogos


A imagem de Rodin, chamada de "O Pensador" (Le Penseur), na verdade não é bem isso. Originalmente, faz parte da obra que ilustra o "Divina Comédia" de Dante e, na verdade, é apenas um poeta que está olhando para o inferno.

Mas ilustra bem outra coisa: o poder das histórias. No caso, as pessoas passaram a contar a história de que era uma pessoa pensando e isso tão marcante que simplesmente alterou a obra.

De qualquer forma, o que eu queria transmitir com a imagem é algo que cabe em ambos: o diálogo que temos com nós mesmos.

Para se convencerem de alguma coisa, as pessoas SE contam histórias.

Nesse sentido, o poder persuaviso das histórias é imbatível, é o recurso máximo de argumentação e persuasão!

Quando alguém fica dúvida sobre qualquer coisa, ela vira o juiz que vai ouvir os argumentos do "anjinho" e do "diabinho" para poder dar o veredito.

Agora, o engraçado é quando mesmo que "um lado vença o debate", o "juiz" ainda pode interferir. Ou seja, mesmo sabendo que seria melhor optar por um caminho, ele escolhe outro. Os motivos podem ser os mais diversos: da preguiça ao medo, mas geralmente o problema seria sair da zona de conforto.

Pra justificar isso, começar as histórias. Exemplos...

"Não dá pra emagrecer trabalhando 15 horas por dia, tendo que ficar comendo porcaria o tempo todo e sentado na frente do computador... Mas isso é temporário. É um investimento que estou fazendo agora pra depois ganhar dinheiro e aí sim cuidar de mim."

"Meu emprego não é aquilo que eu queria. Mas também não tenho outra opção. Tenho filhos, família, cachorro, papagaio, contas, lavanderia, pressão da sociedade, contador, que ajudar o governo...... Vou ficar aqui mais um pouco enquanto procuro algo melhor."

Em suma, histórias são armas. Se não forem bem utilizadas, podem ser usadas contra você. O segredo é saber usar. Olha só:

"Tive uma idéia! Vou fazer como aquele meu amigo que ao invés de enrolar 2 horas de almoço, aproveita pra ir à academia..."

"Eu já fiz isso antes: saí, corri, consegui. Vou me esforçar o dobro, vou atrás do que acredito, vou dar orgulho não só à minha mãe, mas ao lema da cidade de São Paulo!"

Bem melhor, não?

sexta-feira, novembro 24, 2006

Taxista do finde: Milencontros

Coincidentemente, na semana passada eu fui assistir a uma peça em que o personagem principal é um taxista e a trama gira em torno das histórias que acontecem em seu taxi.

Tudo a ver com o que postei blog até agora. Além disso, tem um texto muito bem escrito, a atuação é acompanhada por uma banda ao vivo.

Mas, como não poderia deixar de ser, teve uma história no meio disso: no meio da peça, que acontece no Clube Hebraica, aconteceu a fatídica chuva-furacão aqui em São Paulo.
Árvores caíram, ruas foram alagadas, plantas derrubadas na varanda do flat e a peça teve que ser interrompida.

Estou curioso pra saber o que acontece no final.

Recomendo.





Crédito da imagem: Ferr Leonel

MILENCONTROS
Grupo Gesto
Direção: Leslie Marko
Participação: Banda Stam

A partir de pesquisa do grupo, dramaturgo e diretora elaboram um texto e encenação sensíveis ao redor da temática dos encontros e desencontros entre as pessoas.

Datas: 18, 19, 25 e 26/11
Horários: sábados, às 21h
domingos, às 20h
Local: Teatro Anne Frank

quinta-feira, novembro 16, 2006

O prazer e o poder da leitura

Dizem por aí, os cientistas e estudiosos, que para assimilar uma nova informação, o cérebro precisa entrar em contato 27 vezes com esse dado.

Ao ler um livro, você tem uma imersão que pode ser uma verdadeira aula sobre qualquer assunto. Numa hora você nunca ouviu falar em Robert Langdon e sabe pouco sobre o Vaticano. Doze horas depois você é um expert que poderia dar uma palestra sobre a troca de papas e amigo íntimo de Robert.

O aprendizado é mais rápido e melhor aproveitado quando feito por meio de vínculos e associações. Por isso que cada leitura é um aprendizado, já que entra mos em contato com assuntos que estão circunscritos dentro de um contexto.

Desta forma, além de transmitir sentimentos como humor, superação, força de vontade, emoção, glamour etc., histórias podem:

*gerar conhecimento, fazendo com que os leitores tomem ciência de um determinado assunto.

*estabelecer um valor, já que nada tem valor em si e somos nós que atribuímos valor às coisas de acordo com alguns parâmetros.

*facilitar a "projeção", ou seja, que o leitor se coloque no lugar de um personagem e vivenciar as mesmas experiências que ele.

*explicar didaticamente e na linguagem de qualquer pessoa praticamente qualquer coisa (tanto que a bíblia existe até hoje no mesmo formato)


Não é à-toa, não conseguir parar, uma pessoa que começa a ler um bom livro. O estranho é que são poucas as que iniciam o processo. Como disse Drummond "a leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade não sente esta sede."


OBS: caso queria saber mais sobre a arte da leitura de obras de ficção, recomendo uma visita ao http://storieswelike.blogspot.com/


imagem: http://www.flickr.com/photos/agnieszka/59504965/

quinta-feira, novembro 09, 2006

Homenagem à leitura

imagem: http://www.flickr.com/photos/gusch/196279681/



Eis que você se depara com aquele monte de páginas cheia de letrinhas...


A grande parte das pessoas já fica com preguiça. Algumas poucas, talvez pela maior experiência no processo, ignoram essa etapa.


O próximo passo é justamente quando você ultrapassa essa primeira barreira e começa a se embrenhar pela selva de parágrafos.


Em pouco tempo, se a estória for boa, aquele mar de letras que antes afastava, agora aprisiona. Você não quer mais largar. É quase como um novo vício, que está consumindo seu tempo. Mas ao invés de fazer mal, irá, na pior das hipóteses, elevar seu espírito.


Mas é notório que a cada dia que passa menos pessoas lêem. "É a correria do dia-a-dia" como se apenas elas tivessem rotinas corridas ou então "prefiro esperar lançar no cinema" como se os filmes fossem melhores que os livros. Não me interpretem errado, não tenho nada contra cinema, mas é inegável que por melhor que sejam as produções e atuações, uma experiência de duas horas não substitue o diálogo com o autor.


Apenas quando se lê um texto é possível entender a fundo a intenção do autor: a escolha das palavras, o ritmo, os detalhes sutis, enfim, a tradução dos sentimentos do autor, assim como a fotografia transmite a forma de ver o mundo do fotógrafo.


Ode ao texto, ódio à preguiça...


quarta-feira, novembro 01, 2006

Teclados a postos....!




Todos os anos, em novembro, rola o NaNoWriMo. Apesar do nome "National", é uma maratona para todos os escritores do mundo.

Nada mais justo do que deixar aqui uma homenagem a isso, afinal, este é um blog dedicado, antes de tudo, à arte de contar histórias... E nesse concurso são mais de 70 mil pessoas com o desafio de escrever uma história de pelo menos 50 mil palavras em um mês.

Eu já sei sobre o que vou escrever, ou seja, já tenho o plotline.

Olha aí uma dica que eles dão para a primeira semana... Que eu acho que serve para qualquer coisa na vida:
"Embrace the fear. It's okay to be nervous. Nervous just means you're pushing yourself beyond your comfort zone---which is when great and magical things happen. Even if you have a complete story outline to serve as a map for the month, it's still terrifying to be stepping out into the frontier of your imagination. I blame this on a lifetime of exposure to the perplexing idea that art should be made by artists, and novels left to novelists."

Está aberta a temporada de escrita!

terça-feira, outubro 24, 2006

Taxista do dia: o putanheiro





Eis que esse deu sorte: ao contrário dos seus colegas de trabalho ele não furou o sinal vermelho e por conta disso pegou uma corrida boa...

No caminho ele contou que seu ponto fica em frente à casa da família que controla boa parte das casas de 'divertimento adulto' de SP.

"O dono e fundador é um escroto. A filha é gente boa. O marido dela é super humilde."

Imagina a situação do cara: o sogro ser dono de uma rede de prostituição... Não pode sair da linha por nada nesse mundo. Ahaha

O taxista disse que todos os dias, na mesma hora, vai pegar um a um pra levar. Ele disse não entender por que eles vão de taxi e também por que não vão juntos. Eu tenho minhas teorias, mas isso não vem ao caso...

Por causa desse contato ele participa de uma espécie de campanha de incentivo: se ele levar alguém, ele também pode entrar... A cada 10 pessoas que ele leva, ele ganha uma suíte.

E parece funcionar. Ele disse que já fez um cara que ia no Café Millennium mudar de idéia.

Diz que eles estavam vibrantes com a Fórmula-1... Em um só dia fecharam com mais de 600 pessoas. Só de entrada eles pagaram R$ 150,00 sem contar que uma garrafa de whisky vagaba custa R$ 300 e um programa não sai por menos de R$ 500. Do the math...


foto>
http://www.flickr.com/photos/mbru/44451221/?#comment72157594343339452

Profissionais do volante





Depende de uma série de fatores, mas a realidade é que se você fizer as contas, é bem capaz que chegue à conclusão de que, na ponta do lápis, valha mais a pena andar de taxi todos os dias do que ter um carro.


Pra mim, pelo menos, é um fato. Moro a menos de 5 km de onde trabalho. Ao invés de gastar com gasolina, IPVA, seguro, manutenção e depreciação, prefiro investir em um fundo de renda fixa e utilizar o rendimento pra pagar taxis.

Então, por isso, acabo conhecendo vários deles e devo dizer que é no mínimo curioso ver a diversidade e conhecer as histórias. É tanto material que daria um blog. Mas vou me ater a posts periódicos sobre o assunto.

Dados interassantes (valor científico igual a zero):
* um taxista costuma trabalhar entre 6 e 7 dias por semana, com uma média de 10 a 12 horas por dia
* a média rodada é de 150 Km/dia
* um taxista que possui carro e ponto fatura, em média, 4,5 mil reais por mês

Considerando a renda média mensal brasileira, R$ 4,5 mil é muita coisa. Tudo bem que, pra isso, ele precisa comprar o alvará e o carro, investimento total de R$ 50 mil. Mas se ele não tiver nada disso, pode simplesmente alugar um carro de frota, pelo o qual vai pagar uma diária entre R$ 60 e R$ 80. Nesse caso, a renda cai para cerca de R$ 2 mil. Mas ainda assim é bastante dinheiro para a média nacional.

Isso explica a diversidade.

Já conheci taxistas intelectuais, empreendedores, economistas, contadores, publicitários... E, é claro, os pé-rapados. O taxista de hoje, por exemplo, não sabia a diferença entre "esquerda" e "direita". É verdade que muita gente se confunde, mas tem 3 profissões que não admitem isso: taxista, militar e professor de edução física.


foto> http://www.flickr.com/photos/hi-phi/95196639/

sexta-feira, outubro 13, 2006

Estórias ainda existem?



Outro dia me perguntaram se o termo "estória" ainda existe.

O termo "estória" para fazer diferença ao "história" é um neologismo não tão novo assim. Remonta do início do século XX.

Sim, porque existe uma diferença entre "história que aconteceu" e "estória que a gente conta". Pelo menos, é nisso que acreditam os norte-americanos.

Mas será?

A história dita fatídica seria de fato inquestionável? Ou não deixa de ser um ponto de vista contado por alguém que filtrou as informações e coloca os "acontecimentos" pelo ângulo que mais interessa?

A estória, que nasceu para indicar folclore e acabou expandida e imortalizada por Guimarães Rosa para "estórias criadas", ainda hoje é muito usada.

Já história - imparcial como deveria ser - é que tá difícil de encontrar. E do jeito que as coisas andam, o que vai acabar vai ser "história".... Daqui pra frente vai ser tudo estória, a começar pela do Brasil, que está sendo escrita neste exato momento.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Ponto de partida




Diz a sabedoria popular que 'quem conta um conto, aumenta um ponto". E nem poderia ser diferente, haja vista que as pessoas repassam uma história adicionando um toque pessoal, tentando deixar ainda mais interessante para quem for ouvir.

Nada mais justo que celebrar este fato. Foi com esse intuito que fiz esse blog (o quinto ou sexto que talvez não passe do quinto ou sexto post), ou seja, de olhar antropologicamente ao redor e contar estórias.

Às vezes divertidas, às vezes curiosas. Muitas vezes interessantes e muitas outras sem a menor graça. Não tem importância. O que vale e colocar o meu ponto de vista sobre aquilo que observar e achar que vale um post.

foto from: http://www.flickr.com/photos/pedrofelix/227114266/